A previsão para chegar em Belgrado era por volta das 18hs do dia 29, daria cerca de 20 horas de viagem
Durante a noite atravessamos a Áustria... Pela manhã estávamos tivemos que trocar de vagão, sair do Sleeping Car e mudar para um vagão de assentos comuns, pois, o vagão Sleeping Car seria desconectado. Seguindo viagem chegamos a Eslovênia, na fronteira, os policiais entraram no trem e solicitaram nosso passaporte... Não criaram muito caso, apenas conferiram a autenticidade do passaporte e perguntaram o que iríamos fazer na Eslovênia. Apenas respondemos que estávamos de passagem a caminho de Atenas, e carimbaram nosso passaporte e seguimos viagem.
| Algum lugar da Eslovênia, vista do trem |
Após atravessar a Eslovênia, o trem entrou na Croácia, e ganhamos mais 02 carimbos no passaporte... Para atravessar a Croácia, levamos praticamente o dia todo... Por volta, das 15hs chegamos em Sid, fronteira da Croácia com a Sérvia, e chegando lá nosso primeiro imprevisto (e confesso que deu um pouquinho de pânico rsrs).
O policial muitoooooo "educado" começou olhar nosso passaporte de ponta a ponta e falar algo em uma língua derivada do russo, não entendíamos nada, até porque consultamos antes de pegar esse caminho e sabíamos que brasileiro não precisa de visto para entrar na Sérvia...
O cara não fazia nem um trabalho de se fazer entender... Nós estávamos falando em inglês em russo, uma comunicação bem fácil...até que um rapaz croata percebeu a confusão e resolveu nos ajudar, conversou com o policial em russo e traduziu para o inglês... Na conversa o policial disse que não tínhamos visto e portanto não poderíamos seguir viagem...
Pegamos nossas coisas e acompanhamos o policial até a casinha transformada em posto policial e o trem se foi sem a gente =(
| O posto policial da fronteira - Sid (Sérvia) |
No posto policial um soldado mais novo e muito simpático, veio tentar explicar o que estava acontecendo pra gente... Ele não falava Inglês direito mas falava bem devagar e fazia muita mímica para que entendêssemos.
Explicou que teríamos que voltar para Zagrebe, que passaria um trem para Vinkovci as 16h30 e chegando lá teríamos que pegar um outro trem para Zagrebe. Perguntamos se podíamos usar o celular, ele disse que sim, que não estávamos presos, só não podíamos entrar na Sérvia...
Ao ligar para o Brasil, nossos amigos de uma agência de viagem nos informaram, que podemos sim entrar na Sérvia apenas com o visto de fronteira, mas... existe um acordo diplomático com o Brasil que consiste no seguinte: Se o bicho tiver pegando, brasileiro não entra, a não ser que venha com autorização emitida no Brasil, atestando a responsabilidade... Caso os sérvios deixem a gente entrar e uma bomba caia na nossa cabeça, por exemplo, pode virar um grande problema diplomático, ou seja, acho que teríamos que agradecer por não correr o risco de estar em um trem bombardeado né rsrsrs
Mas vale a dica, pelo caminho encontramos uma brasileira que entrou na Sérvia pelo mesmo caminho que nós e não precisou de visto, portanto, se não deixarem você entrar agradeça, eles estão salvando sua vida...
Quando o trem para Vinkovci chegou os policiais devolveram nosso passaporte com um carimbo de entrada na Sérvia e por cima desse carimbo ANULED, em vermelho e bem grande... Fomos deportados rssrsrs
Meu amigo disse que tinha inveja desse carimbo, pois esse era o único que ele não tinha conseguido no passaporte kkkkk
Chegamos em Vinkovci por volta das oito da noite, estávamos verdes de tanta fome, já que tudo o que tínhamos para comer e beber na mochila tinha acabado, e já tinha passado e muito da hora que estava prevista para desembarcamos em Belgrado.
Encontramos um mercadinho fajuto na estação... não tinha nada de cara boa pra comer, mas de novo tive que agradecer por existir marcas mundiais... Nunca fiquei tão feliz por comprar um saco de batatas rsrsrs
Finalmente chegamos em Zagrebe, lógico que ainda passamos pelo estresse de quase perder o trem para a capital... Chegamos por volta das 23hs e não tínhamos o mapa da cidade no GPS do celular... era uma sexta-feira e a cidade estava praticamente deserta, nada se parece com SP, saímos em busca de um hostel e de coisas para comer... E ficamos bem felizes em descobrir que era comum as pessoas andarem armadas.
Finalmente achamos um hostel e fomos dormir... Bem preocupados por sinal, pois não tínhamos ideia de quanto valia as Kunas (moeda local), só sabíamos que pagamos 380 kunas por uma noite em um hostel e que esse dinheiro fosse igual ao euro, nossa viagem tinha falido antes mesmo de começar...